O Padre Gabriel nasceu com uma mancha na testa. A vida inteira ela cresceu devagar, e ele foi deixando pra lá.
No começo desse ano, ela fechou um dos olhos dele.
O doutor foi direto: isso vai chegar no outro olho. E se chegar, o senhor não enxerga mais.
Ele tem 33 anos, é padre há seis. Naquele dia voltou pra capela sozinho, se ajoelhou diante do sacrário e disse: Senhor, agora sou eu que preciso.
A mancha não passa pra ninguém. Mesmo assim tem gente que senta no último banco pra não ficar perto dele na hora da bênção.
Tem família que foi rezar a missa em outra paróquia. Ele não culpa ninguém.
Mesmo assim, Gabriel continua abrindo a capela todo dia.
A mancha só sai com operação. E o prazo é cinco meses, antes que alcance o olho que ficou.
Só que essa operação custa mais do que consegue levantar uma capela que vem perdendo fiéis por causa do rosto do próprio padre.
Seis anos ele leu a palavra pro povo dele. Hoje, nem assim deixou de rezar uma missa.
A distância entre ele e essa operação começa a diminuir aqui embaixo:
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